Covid-19: Prefeito de Sertãozinho, SP, reconhece saturação em leitos de UTI, mas descarta lockdown

Município tem 1.273 casos de coronavírus e 31 mortes.

Taxa de ocupação para pacientes leves e graves na Santa Casa é de 100%.

O prefeito de Sertãozinho (SP), José Alberto Gimenez (sem partido), descartou a necessidade de lockdown na cidade para conter o avanço da pandemia de Covid-19, mas admitiu preocupação com a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para a doença.

Nesta terça-feira (14), a Santa Casa não tem vaga para pacientes com coronavírus nem na enfermaria, que tem 17 leitos, nem na UTI, que conta com 12 espaços. No hospital particular Netto Campello, até segunda-feira (13), eram quatro pacientes internados em estado grave.

No entanto, não foram divulgadas informações dos leitos disponíveis na unidade e nem a ocupação desta terça. “Sempre há a preocupação de ter aumento.

Não está tudo comprometido, mas está bem saturado.

Nós não pensamos nisso [lockdown].

O que estamos fazendo é uma força tarefa forte, pesada.

Fim de semana mais ainda”, disse. Embora não tenha uma definição única, o "lockdown" é, na prática, a medida mais radical imposta por governos para que haja distanciamento social – uma espécie de bloqueio total em que as pessoas devem, de modo geral, ficar em casa. Em julho, de acordo com o Sistema de Monitoramento Inteligente do governo paulista, a média do índice de isolamento social no município foi de 46,6%.

Santa Casa de Sertãozinho, SP, está com todos os leitos destinados à Covid-19 ocupados nesta terça-feira (14) Reprodução EPTV A cidade faz parte da Diretoria Regional de Saúde 13 e está na fase vermelha no Plano São Paulo, a mais restritiva e que permite apenas a abertura dos serviços considerados essenciais. Em abril, quando as medidas de isolamento social começavam a entrar em vigor na região, Gimenez decretou mudanças que permitiam a volta do funcionamento do comércio em geral, incluindo os serviços não essenciais, como academias, além de indústrias e atividades agrícolas.

O texto, no entanto, foi barrado pela Justiça após um pedido do pedido do Ministério Público Estadual. "Eu acho que naquele começo a economia não precisava estar parada.

Podia trabalhar com limites, com controle de distanciamento.

Acho que nós perdemos um tempo.

[ A restrição] começou muito antes", justificou. Para fiscalizar o cumprimento dos decretos do município e do estado, Sertãozinho conta com seis fiscais do Departamento de Código Tributário, cinco fiscais da Vigilância Sanitária, o efetivo de 140 guardas civis municipais e apoio da Polícia Militar. "Hoje eu não abriria.

Lá atrás, sim, com muita tranquilidade.

Mas estamos com a ocupação alta, não vale a pena arriscar.

Acho que está correto agora e estamos agindo fortemente na fiscalização", afirmou Gimenez. Loja de roupas em Sertãozinho (SP) Reprodução/EPTV Ampliação de leitos Sertãozinho estuda ampliar as vagas de UTI na Santa Casa.

Segundo o chefe do executivo, mais dois leitos podem ser instalados na cidade nos próximos dias.

Atualmente, o hospital também recebe pacientes de cidades vizinhas, como Pontal (SP) e Barrinha (SP). Desde o início da pandemia, o município já recebeu R$ 3.137.522,67 em recursos dos governos federal e estadual, juntos.

Todo o montante, de acordo com Gimenez, já foi gasto no combate à doença.

O estado, até o momento, enviou dois respiradores para Sertãozinho.

Outros três que a rede pública de saúde tem foram comprados com verba municipal.

Empresas particulares também fizeram doações de aparelhos à Santa Casa. "O que preocupa nas reuniões são os leitos de UTI.

Na enfermaria, é mais fácil abrir leito.

Na UTI precisa de equipamento, de gente, não é uma coisa fácil.

O gargalo é aí", explicou o prefeito. Avanço O primeiro caso do novo coronavírus foi registrado em Sertãozinho no dia 31 de março, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde.

A primeira morte ocorreu um dia antes, 30 de março, mas só foi confirmada no dia 3 de abril após diagnóstico do exame. Mais de 100 dias depois, até esta terça-feira, o município registra 1.273 casos da doença e 31 mortes.

Sete desses óbitos foram no distrito de Cruz das Posses, que de acordo com Gimenez, não seguiu com seriedade a quarentena. "No começo a população de lá [Cruz das Posses] não se cuidou e muita gente se contaminou.

Agora, já faz dias que não tem ninguém.

O pessoal não cuidava, continuava indo em festas, bares.

A contaminação foi grande no começo", explicou. Em Cruz das Posses, distrito de Sertãozinho, SP, mulheres andam de máscara na rua Alexandre Sá/EPTV Para o prefeito, o descuido por parte dos moradores do distrito e também de Sertãozinho no início da pandemia foi motivado pelas divergentes opiniões de especialistas, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, que está com um ministro interino desde o dia 15 de maio. "Não vou culpar um ou culpar outro.

Acho que faltou harmonia.

O Ministério da Saúde ficou aleijado.

A política, num momento como esse, atrapalhou", disse. Outra justificativa apresentada por Gimenez para os números elevados foi o aumento na capacidade de testes em Sertãozinho.

Hoje, qualquer morador com sintomas leves pode ser testado na Unidade de Pronto Atendimento, na Unidade Básica de Saúde do Jardim Helena ou no Pronto Atendimento do distrito de Cruz das Posses. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, a cidade já fez mais de 1,5 mil exames na rede pública de saúde, seja do Sistema Único de Saúde (SUS) ou da Prefeitura, além do sistema particular. Initial plugin text Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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